domingo, 30 de outubro de 2011

Transformação de Focalizadores! Paula Falcão.

Síntese




Cheguei para esse módulo com muitas indagações e expectativas, pois os termos FOCALIZADOR E FACILITADOR, são muito usados nos Jogos Cooperativos, para quem está à frente. E qual será o papel de cada um? Existe realmente uma diferença?
Como chamamos a pessoa que está à frente promovendo, coordenando, auxiliando o grupo que joga?
Como será coordenar um processo de jogo cooperativo? Como fazer com que o grupo alcance seu objetivo?
Por trabalhar em uma escola de formação em tempo integral, onde o objetivo é formar um cidadão, crítico, pesquisador, autônomo, reflexivo, protagonista da sua história, etc. Entendo que quando proponho um jogo cooperativo, o meu papel é simplesmente facilitar para que esse jogo aconteça, sou um mediador do processo de aprendizagem. Falcão (2002) nos fala do papel do facilitador:
“Facilitador é aquele que facilita o processo de aprendizagem. O facilitador apenas ajuda o outro a aprender, e não obrigatoriamente é o detentor do conhecimento”.
E é realmente isso que faço em minhas práticas. Alias, sou facilitadora e focalizadora, pois o papel do focalizador é deixar que o grupo não perca o foco, e nesse momento entro também como mediadora. O termo focalizador, segundo Falcão (2002), surgiu na comunidade de Findhorn, na Escócia. E tem a ver com manter o foco.
Segundo Brown (1994):
“O facilitador deve criar um ambiente para o jogo, deve acender o fogo. Se um facilitador sugere um jogo seca e desinteressadamente, o grupo não vai responder. É preciso mostrar com alegria, entusiasmo e riso que o jogo é cooperação e celebração”.
“Facilitar implica ter uma atitude de empatia: a capacidade de colocar-se no lugar do outro; de assumir seu lugar. Significa escutar e, partindo disso, formular nossa mensagem, levando em conta o destinatário”. (Brown, 1994).
A palavra facilitar tem a ver com uma relação horizontal de Educação, não com aquela que no passado tinha a figura do professor como dono absoluto do saber, ele mandava e seus alunos executavam, sem perguntar nem questionar. A cooperação é o avesso disso, pois quanto mais o grupo perguntar, interferir, e mudar, melhor para o objetivo final que é a felicidade aliada ao aumento da auto-estima, e se posso me colocar num grupo, e esse mesmo grupo aceita minhas idéias com certeza me sinto fortalecido para tentar de novo. Corro até o risco de que em alguns momentos não ter o que digo aceito, mas só o fato de poder me colocar sem medo, já me deixa livre para criar. E conforme a aula passava, eu podia ver minha prática na escola onde atuo, pois para minha surpresa, um dia pedi aos que escrevessem uma prática que eu faço que eles gostem que achem significativa para o aprendizado. E a maioria deles escreveu que era o círculo no começo com a rodada de “boas notícias” e no final na roda de “loveback”termo usado por Brotto (Estreitar os laços). E é nesse momento que paro para ouvir e perguntar aos educandos dando a oportunidade de comentar o que sentiu expor suas idéias e sugestões na roda e a pessoa sente – se importante, sem medo de errar ou de ser rejeitada. Todos são iguais, sem diferenças, sem o melhor ou pior, certo ou errado, e isso é muito importante tanto para o educando como para o educador, pois exercitamos o relacionamento interpessoal e o diálogo. A aprendizagem interpessoal é a conseqüência das relações criadas em um ambiente com outros sujeitos através da manifestação da linguagem.É muito bacana nesse momento deixar claro para os educandos os objetivos, o que eu queria alcançar, se não corre o risco de ficar o jogo pelo jogo.
 E tudo isso, remete – me a pensar na importância do círculo na educação. Faz me ver o círculo na sua essencialidade, como símbolo prenhe de significados para uma prática integradora. Ou seja, mais do que fazer a roda e chamar para o encontro, por si só entra em jogo o exercício de uma atitude e um pensamento circular. Pensar circularmente significa não pensar em linha reta, na afirmação da verdade, da única voz, do conhecimento absoluto. Significa abrir-se ao diálogo, ao acolhimento da dúvida e da diversidade, à construção de múltiplos enredos afirmados no encontro das singularidades de crianças e adultos, de alunos e professores. Não é uma técnica, procedimento metodológico, mas um modo de agir, de ser, de acolher. O círculo simboliza a unidade e a totalidade, e também não existem melhores ou piores todos comungam de um mesmo ideal, em que todos se ajudam para superar seus erros.

Segundo Brown (1994), as características que esse facilitador/focalizador deveria ter:
Comunicativo: mais do que explicar o jogo, o facilitador tem que comunicar o sentido do mesmo. Significa transmitir valores que ajudam a criar um ambiente.
Amável-amigo: corresponde a um contexto de união e solidariedade, o facilitador também é amigo, companheiro, uma pessoa a mais que se diverte com o jogo.
Criativo: engloba tudo, mas se refere especialmente ao momento em que se sugere um jogo. O facilitador deve estar atento para saber quando sugerir (ou não), um jogo, qual será, que adaptação deve ser feita.
Flexível: é preciso mudar algo? Trata-se da capacidade de mudar, iniciar, suspender etc., no momento em que ocorre um imprevisto.
Alegre: os jogos devem ser alegres, e o facilitador deve motivar essa alegria.
Sensível: ao grupo, as suas necessidades e ao processo que este vive.
Paciente: porque, às vezes, é preciso esperar, visto que as coisas não têm o mesmo ritmo que queremos.
Sensual: estar atento a todos os sentidos.

O facilitador/focalizador deve ser o mediador entre o conhecimento e o grupo que joga. O facilitador/focalizador primeiro questiona o grupo sobre o que acabaram de fazer, tentando tirar do grupo os objetivos da atividade. Se o grupo não der a resposta esperada, então o papel do facilitador/focalizador será o de comunicar ao grupo aquilo que tinha em mente quando focalizou o jogo. Isto é importante, pois, fazendo isso, o grupo poderá estabelecer uma relação entre o jogo e a vida.
Devemos sempre escutar as pessoas que jogam porque agindo assim nos tornamos alguém significativo e também conquistamos a confiança do grupo.   Quando abrimos espaço para que as pessoas falem, cada um se sente aceito, importante e pertencente ao grupo. Enquanto educadores devemos ensinar as pessoas a escutar e também a falar, pois só assim elas poderão se expressar livremente e passar a se conhecer melhor e também a conhecer as pessoas que jogam.
O módulo surpreendeu e eu percebi que já faço quase tudo que foi mostrado por Paula Falcão em minha prática, e isso só faz crer que eu estou no caminho certo!

terça-feira, 11 de outubro de 2011

RESENHA LIVRO JOGOS COOPERATIVOS - O Jogo e o Esporte como um Exercício de Convivência

 Livro JOGOS COOPERATIVOS - O Jogo e o Esporte como um Exercício de Convivência
Autor: Fábio Otuzi Brotto - 3ª ed.



Em uma época onde a competição é tanto estimulada, o livro de Brotto, surge como um desafio na divulgação aberta da filosofia da cooperação. Esse pensamento é expresso já no início do livro, onde o autor abre mão dos direitos autorais e autoriza a reprodução a quem quiser divulgar os jogos cooperativos. Fantástico!
O objetivo do autor com o trabalho é contribuir para que as pessoas possam resgatar o seu potencial de viver juntas e realizarem objetivos comuns, aprendendo a viver uns com os outros, ao invés de uns contra os outros. Trata-se de um estudo filosófico-pedagógico acerca dos jogos cooperativos para promover a ética da cooperação e desenvolver as competências necessárias para a melhoria da qualidade de vida atual para a vida das futuras gerações. 
O livro é organizado em cinco capítulos: O Jogo numa Sociedade em Transformação. A Consciência da Cooperação. Jogos Cooperativos. Jogos Cooperativos: uma Pedagogia do Esporte. O Jogo e o Esporte como um Exercício de Convivência. O livro contém, considerações finais, bibliografia e com – Nexos ( exemplos de alguns Jogos).
No 1º capítulo “O Jogo nma Sociedade em Transformação”, Brotto expõe os conceitos e abordagens de jogo, fazendo uma relação dele com as dimensões do ser humano e uma relação profunda com a vida humana, afirmando que: “Jogamos do jeito que vivemos e vivemos do jeito que jogamos”. Por isso, a importância de mudar a nossa mentalidade para transformar a sociedade. 
A partir do 2º capítulo “A Consciência da Cooperação”, Brotto fala sobre a diferença gritante que há entre a cooperação e a competição, quais os alcances, os objetivos e os sentimentos envolvidos em uma situação competitiva e em uma situação cooperativa. Comenta também sobre alguns mitos que surgem quando falamos em cooperação, deixando bem claro que há alternativas, não porque a competição é ruim e a cooperação é boa, mas porque a cooperação é mais necessária se queremos um mundo melhor. “Não sou contra a competição, sou francamente a favor da cooperação ”. O capítulo termina com um apelo para que o desenvolvimento da cooperação seja desenvolvido por todos, mostrando que a sociedade cooperativa é uma possibilidade, basta trabalharmos com boas ações, além das nossas boas intenções.
No 3º capítulo,  Brotto, dedica-se a falar dos “Jogos Cooperativos” com profundidade, da sua Origem e Evolução, de como esse movimento foi espalhando-se pelo mundo até chegar ao Brasil. Aqui no Brasil a trajetória dos jogos é mostrada de forma cronológica. Mostra ainda os Conceitos e as Características dos jogos cooperativos, principalmente contrastando com as características dos jogos competitivos. Jogos cooperativos são bem mais que jogos desenvolvidos em sala de aula, ou em quadras, por isso, Brotto mostra a visão que movimenta os jogos cooperativos e os Princípios Sócio-Educativos da Cooperação que tem comoprincipais eixos da Pedagogia Cooperativa a dinâmica de ensino-aprendizagem que Brotto chma carinhosamente de Espiral de Ensinagem Cooperativa, compondo três elementos essenciais: a Convivência, a Consciência e a Transcendência.
“Exercitando no jogo e no esporte a reflexão criativa, a comunicação sincera, a tomada de decisão por consenso e a abertura para expe-rimentar o novo, todos podem descobrir que são capazes de intervir positivamente na construção, transformação e emancipação de si mesmos, do grupo e da comunidade onde convivem.” 
No 4º capítulo “Jogos Cooperativos: Uma Pedagogia do Esporte”, o autor discorre sobre o esporte como algo muito presente na experiência humana e como conteúdo da disciplina de Educação Física. Ao esporte ele une a pedagogia, transformando-a em uma linha de pesquisa que aplica a ciência do esporte aos princípios sócio-educativos para favorecer o processo de ensino-aprendizagem. É o uso do esporte como meio de educação. Ainda nesse capítulo Brotto fala da importância da cooperação no esporte ensinando ao pedagogo do esporte todas as categorias de jogos cooperativos, os critérios para formação de grupos, a visão sobre premiação e as ações co-opetitivas, que são ações de criação e organização de eventos grandes de cooperação. 
No 5º capítulo, o autor relaciona tudo que foi exposto ao exercício da convivência, e estimula o leitor a desejar e lutar por um mundo melhor, sem perdedores ou vencedores, mas um mundo onde todos vencem juntos. Um verdadeiro desafio na construção de um mundo onde nós nos importamos com o outro, porque ele é parte de nós. 
Em suas considerações finais, Brotto enfatiza que os jogos cooperativos não terminam ali, eles continuam, “é impossível conceber um apito final para este Exercício de Convivência”. Todos são estimulados a vivenciar e a divulgar essa pedagogia da cooperação,
somos muito melhor
quando compartilhamos a vida
com quem a gente ama.
Essa frase diz tudo!

quarta-feira, 27 de julho de 2011

Ética na comum - unidade.


A confusão que acontece entre as palavras Moral e Ética existem há muitos séculos. A própria etimologia destes termos gera confusão, sendo que Ética vem do grego “ethos” que significa modo de ser, e Moral tem sua origem no latim, que vem de “mores”, significando costumes.
Esta confusão pode ser resolvida com o esclarecimento dos dois temas, sendo que Moral é um conjunto de normas que regulam o comportamento do homem em sociedade, e estas normas são adquiridas pela educação, pela tradição e pelo cotidiano. Durkheim explicava Moral como a “ciência dos costumes”, sendo algo anterior a própria sociedade. A Moral tem caráter obrigatório.
Já a palavra Ética, Motta (1984) defini como um “conjunto de valores que orientam o comportamento do homem em relação aos outros homens na sociedade em que vive, garantindo, igualmente, o bem-estar social”, ou seja, Ética é a forma que o homem deve se comportar no seu meio social.
A Moral sempre existiu, pois todo ser humano possui a consciência Moral que o leva a distinguir o bem do mal no contexto em que vive. Surgindo realmente quando o homem passou a fazer parte de agrupamentos, isto é, surgiu nas sociedades primitivas, nas primeiras tribos. A Ética teria surgido com Sócrates, pois se exigi maior grau de cultura. Ela investiga e explica as normas morais, pois leva o homem a agir não só por tradição, educação ou hábito, mas principalmente por convicção e inteligência. Vásquez (1998) aponta que a Ética é teórica e reflexiva, enquanto a Moral é eminentemente prática. Uma completa a outra, havendo um inter-relacionamento entre ambas, pois na ação humana, o conhecer e o agir são indissociáveis.
Em nome da amizade, deve-se guardar silêncio diante do ato de um traidor? Em situações como esta, os indivíduos se deparam com a necessidade de organizar o seu comportamento por normas que se julgam mais apropriadas ou mais dignas de ser cumpridas. Tais normas são aceitas como obrigatórias, e desta forma, as pessoas compreendem que têm o dever de agir desta ou daquela maneira. Porém o comportamento é o resultado de normas já estabelecidas, não sendo, então, uma decisão natural, pois todo comportamento sofrerá um julgamento. E a diferença prática entre Moral e Ética é que esta é o juiz das morais, assim Ética é uma espécie de legislação do comportamento Moral das pessoas. Mas a função fundamental é a mesma de toda teoria: explorar, esclarecer ou investigar uma determinada realidade.
A Moral, afinal, não é somente um ato individual, pois as pessoas são, por natureza, seres sociais, assim percebe-se que a Moral também é um empreendimento social. E esses atos morais, quando realizados por livre participação da pessoa, são aceitas, voluntariamente.
Pois assim determina Vasquez (1998) ao citar Moral como um “sistema de normas, princípios e valores, segundo o qual são regulamentadas as relações mútuas entre os indivíduos ou entre estes e a comunidade, de tal maneira que estas normas, dotadas de um caráter histórico e social, sejam acatadas livres e conscientemente, por uma convicção íntima, e não de uma maneira mecânica, externa ou impessoal”.
Enfim, Ética e Moral são os maiores valores do homem livre. Ambos significam "respeitar e venerar a vida". O homem, com seu livre arbítrio, vão formando seu meio ambiente ou o destruindo, ou ele apóia a natureza e suas criaturas ou ele subjuga tudo que pode dominar, e assim ele mesmo se torna no bem ou no mal deste planeta. Deste modo, Ética e a Moral se formam numa mesma realidade.
Questionar: de onde veio? Quem a ditou? Por quê? Com que fim? A resposta dos transcendentalistas é que ela é heterônoma, isto é, veio de fora do "eu". Deus seria o autor da norma. Liga-se, assim, Filosofia e Religião. Para os cristãos, as normas éticas estão centradas nos Dez Mandamentos; a resposta dos imanentistas é que ela é autônoma, isto é, surge das tensões das circunstâncias

Segundo Sócrates, o ethos verdadeiro é agir de acordo com a razão, que se eleva acima do consenso da opinião da multidão, para atingir o nível da objetividade própria do saber demonstrativo. A autonomia, assim, não se realiza na solidão, mas se consolida pelo contato entre os seres humanos.


A reflexão sobre o ethos leva-nos à prática do amor. O verdadeiro exercício do amor longe está das proibições e interdições de que a moral propõe. É uma autodeterminação que envolve a autonomia da vontade na busca da atualização do ser. Assim, não é agir de qualquer jeito, mas de forma ordenada, generosa, que promova a pessoa e os direitos do outro, sobretudo quando esses direitos são espezinhados.
O comportamento ético não consiste exclusivamente em fazer o bem a outrem, mas em exemplificar em si mesmo o aprendizado recebido. É o exercício da paciência em todos os momentos da vida, a tolerância para com as faltas alheias, a obediência aos superiores em uma hierarquia, o silêncio ante uma ofensa recebida.
Telma Vinha, fala em uma de suas pesquisas que a pergunta da Moral é: Como devo agir?
A moral se coloca na dimensão da obrigatoriedade, do dever. A pergunta da Ética é: Que vida viver? A Ética se coloca no lugar da desejabilidade, da excelência, da felicidade.

Olhando para os valores morais
Não basta somente ter o juízo moral - condição
Necessária, é preciso querer agir de acordo com os princípios/regras. È preciso que esse conhecimento se torne valor para o sujeito.
 Valor? Dimensão afetiva - morais e não morais.
Seguir valores implica em um “querer” muito forte...
_ conflito entre os “quereres”
_ sentimento de obrigação
_ regulação dos afetos
_ sensação de “bem estar”
_Como os valores se constroem?
_Processo de desenvolvimento – “ações automatizadas” = senso moral (consciência?)
_ adultos
“Ser valor”
Superação do sentimento de inferioridade – expansão
de si (Adler)
Como eu me vejo – a construção de imagens de como eu
sou –representações de si
O que eu admiro o que eu me envergonho, o que me satisfaz,
do que sinto culpa... tudo isso formam a imagem que eu tenho de mim mesmo, ou seja, de como eu me vejo e de como eu quero ser vista
A personalidade é um conjunto de representações de si –
valores morais e não morais (princípios)
“Quero que me vejam como profissional competente” generoso, justo, vencedor, elegante, sexy, bonito.
Enfim, Ética e moral
Sentir-se mal quando não generoso e justo.
Obs. sobre a ética
Quem eu quero ser, mas quando leva o outro em consideração (no sentido de alter - constituinte de mim).
Se refere à construção do bem comum, ou seja, a felicidade -
“vida boa”- felicidade para a cidadania no exercício dos direitos e na criação de novos direitos - “felicidadania”.
Moral e ética - Somente terei restrição a minha liberdade se fizer sentido num projeto de vida, numa vida que vale a pena ser vivida.

“Culpa e vergonha, aliados a um juízo moral competente, não são frutos de construções psíquicas que nascem do vazio, mas sim do convívio numa comunidade que cultiva valores morais e
éticos, proibições, ideais e virtudes”
La Taille (2002)
REFERÊNCIA
SILVA, José Cândido da; SUNG, Jung Mo. Conversando sobre ética e sociedade. 7. ed. Petrópolis: Vozes, 2000.
CAMARGO, Marculino. Fundamentos da ética geral e profissional. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 1999.
VÁSQUEZ, Adolfo Sánchez. Ética. 18. ed. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1998.
GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução à Ciência do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 1972.
 VENOSA, Sílvio de Salvo. Introdução ao Estudo do Direito. São Paulo: Atlas, 2004.
MOTTA, Nair de Souza. Ética e vida profissional. Rio de Janeiro: Âmbito Cultural, 1984.
VINHA, Telma 1º Simpósio do Comitê de Ética em e desenvolvimento moral Pesquisa da Universidade de Franca
Me avalio em 8.0 por toda construção que esse módulo proporcionou na minha vida. Posso dizer que realmente estou em construção, pois ainda não terminei o caminho.

Síntese Pós Jogos Cooperativos - Liderança e Gestão Colaborativa





"Os grandes líderes são como os melhores maestros - eles vão além das notas para alcançar à mágica dos músicos." (Blaine Lee - Frases de liderança).


Liderança é um assunto muito difundido no atual mundo corporativo. Para um gestor ser um bom líder – no sentido real da palavra e não somente aquela pessoa que se diz assim, por ocupar um cargo de maior destaque na empresa – não existe um modelo pronto ou estereótipo perfeito. Cada pessoa tem características e competências próprias, as quais devem estar de acordo com a organização em que se trabalha, assim como as empresas devem buscar colaboradores com perfil adequado à sua missão, o que proporciona uma relação de recíproca harmonia no ambiente organizacional.
Verdadeiros líderes promovem e estimulam seus liderados para o sucesso, oferecendo um aprendizado constante, valorizando os talentos, incentivando a realização de cursos, a participação em palestras e congressos, mesmo que estes não estejam ligados diretamente à área funcional do liderado.
Além de promover o desenvolvimento dos seus subordinados, os líderes devem preocupar-se com seu próprio aperfeiçoamento mudando de atitudes, estudando sempre, buscando a melhoria contínua e jamais se deixando acomodar, ou seja, achando que apenas o nível hierárquico em que se enquadra no organograma é o bastante para o seu sucesso. Permanecer na “zona de conforto” é um fator crucial para um líder tornar-se ultrapassado e perder suas verdadeiras características e a credibilidade perante a organização e seus colaboradores.
Ser líder de verdade é muito mais que ocupar um cargo de liderança. É dar exemplos para os demais através de alguns fatores, que descrevo abaixo:
* Ter otimismo – motivar seus funcionários com elogios, com ânimo e com incentivo aos desafios. Líderes que falam somente das dificuldades, dos problemas e das deficiências da empresa são aqueles que não querem o progresso de sua equipe, são inseguros, têm medo de serem superados e buscam apoiar-se em pontos fracos e/ou negativos da organização para justificar sua incapacidade de encorajar os outros. Apontar somente os problemas da organização em que se trabalha pode ser positivo se junto às críticas vierem idéias novas e soluções para sanar esses problemas, caso contrário, demonstra total desalinhamento do líder em relação à missão institucional, gerando desmotivação na equipe.
* Ter pontualidade – não somente no que diz respeito a horários, mas sim a cumprimento de prazos. Muitos líderes postergam a resolução de um problema ou a execução de uma tarefa com a idéia “Ninguém cumpre prazos”, mas se ninguém cumpre, seja o líder que cumpre e que tem um diferencial através da pontualidade de seus serviços, principalmente se estes forem necessários para o desenvolvimento do trabalho da equipe a qual lidera. O medo e a insegurança por parte do líder em se reportar ao seu superior são alguns dos fatores que levam ao adiamento da solução de problemas, início ou término de trabalhos.
* Executar tarefas – atualmente, fala-se muito em liderança serva. Assim, o verdadeiro líder também faz, e o futuro é daqueles que conseguem fazer muitas coisas ao mesmo tempo. O conceito de que líder apenas comanda, delega, supervisiona, toma decisões e tem idéias está tornando-se cada vez mais obsoleto, dando espaço à liderança que se unem aos funcionários criando sinergias, melhorando os relacionamentos, produzindo equipes mais eficiente e eficaz, promovendo a auto-realização e a realização dos demais.
* Participar de bons e maus momentos – toda equipe executa bons trabalhos, recebendo parabenizações, e alguns trabalhos não tão bons, recebendo críticas. O verdadeiro líder deve estar presente nos dois momentos, e assumir que quando ocorre uma falha, toda a equipe falhou inclusive ele. Nunca se deve culpar um único funcionário pelo erro. Assim como num momento de congratulações, toda a equipe deve receber, e não somente o líder.
* Valorizar seus funcionários – ninguém tem cargo de liderança se não existirem os liderados e estes são a razão da existência do líder. Dessa forma, os colaboradores devem ser tratados com seu real valor, a fim de gerar motivação e orgulho de fazer parte da equipe.
* Vestir a camisa da empresa – se o líder não está adequado aos objetivos nem à missão da empresa e tem consciência disso, ele não conseguirá apresentar qualquer das características/ações citadas acima. Ele estará nessa posição apenas para ocupar uma vaga, apenas pelo destaque que o cargo pode proporcionar. Para que o líder consiga ter essas características, ele deve estar de bem consigo mesmo e com a organização, deve se conscientizar de que a empresa apostou nele e que sua permanência depende tão e somente dele mesmo.
"Para ser um líder, você tem que fazer as pessoas quererem te seguir, e ninguém quer seguir alguém que não sabe onde está indo."
(Joe Namath)
Quando olhamos para as formas de aumentar nossos negócios, às vezes corremos para tipos de soluções rápidas. Nós olhamos para o negócio mais recente sobre o que é novo no mercado. Mas há uma coisa simples que você pode fazer hoje, que não custa um centavo, e que vai transformar totalmente seu negócio. Uma coisa, que se você fizer isso todos os dias, vão criar clientes leais e satisfeitos. E é tão simples, que as maiorias das pessoas pensam "sim, eu sei disso, mas tem que haver algo mais".  A valorização das pessoas.
As pessoas anseiam serem valorizadas acima de quase tudo, e ainda a maioria das empresas e negócios parecem fazer o contrário e mostrar como eles não valorizam seus clientes e parceiros. Os comentários não são retornados (mostrando que o tempo da pessoa é mais valioso do que o cliente), os clientes regulares não são lembrados, e as reclamações e críticas são vistas como sendo algo de errado com o cliente e não com seu negócio.
Se você olhar para qualquer estudo a única coisa que diferencia um negócio de sucesso de outro fracassado é a forma como valoriza seus clientes e parceiros. Valorizar as pessoas é uma vantagem competitiva desleal. Não apenas com palavras.
Valorizar um cliente não é algo que você coloca num mural e vai começar a acontecer. Isso requer uma mudança.É preciso não apenas falar mastigando as palavras, mas demonstrando através de suas ações como seus clientes são importantes para você.
Palavras como "os funcionários são nosso maior patrimônio" ou "o cliente sempre vem em primeiro lugar" é retórica vazia. Valorize as pessoas não com as palavras, mas com a ação.
As pessoas precisam ser valorizadas. Tudo que você precisa fazer é olhar para cada um dos seus negócios e estratégias de marketing e se perguntar: "Será que isto faz que as pessoas se sintam valorizadas". Se não, é hora de fazer uma mudança.

"É hora de amadurecer, não podemos mais viver num mundo novo com idéias velhas, se você tem a frente um time para liderar saiba que ser retrogrado jamais irá levá-lo a vitória e a conseguir o respeito de sua equipe."                                                                                  (Luís Alves).

Mais do que apenas atuar como uma equipe nas crises, as altas lideranças dentro das empresas devem trabalhar de forma colaborativa para aproveitar as oportunidades do momento. O mundo empresarial parece não ter mais dúvidas de que o atual cenário exige que se tenha, em qualquer arena, uma nova forma de pensar, novas pessoas, novos perfis e novas competências. E, dentro dessas novas formas de pensar, encontra-se a colaboração entre os líderes na busca de oportunidades. Muitos dirão que nas crises os líderes já são chamados e, que eles, em equipe, acabam apontando os caminhos das soluções. Se por um lado isso é correto, por outro, no dia-a-dia, os líderes, praticamente, não se conhecem, concentrando a sua ação no resultado imediato de sua unidade de negócio ou departamento, perdendo, assim, oportunidades mais globalizadas.

"A genialidade de um bom líder é deixar para trás uma situação com a qual o senso comum, sem a graça da genialidade, consegue lidar de forma bem sucedida."                                                            (Walter Lippmann)

Embora a maioria dos líderes considere o trabalho em equipe importante e invista para que tenha sob o seu comando um time de alta performance, eles mesmos têm uma enorme dificuldade, para, juntos, trabalharem dessa forma. Motivos não faltam. Afinal, eles foram e estão acostumados a decidir sozinhos, o que é coerente com a sua formação. Há tempos não lembram mais da disciplina requerida quando se atua num grupo de trabalho. Especialmente, se o time é formado por personalidades heterogêneas, como é a maioria dos casos. Assim, é factível concluir que quanto mais alta a hierarquia na quais os líderes se encontram, menos eles se sentem à vontade para trabalhar em equipe.

O trabalho em equipe é um malabarismo constante constante entre o interesse próprio e o interesse do grupo."                                                       (Susan Campbell)

Evidentemente, não estamos advogando que os líderes passem a se reunir para analisar, debater e decidir qualquer coisa. Num mundo em que o cenário está em constante mutação, pela interação de três grandes forças, a globalização, a tecnologia da informação e a consolidação industrial, as empresas precisam estar presentes em mais lugares, observar mais as diferenças regionais e culturais e, principalmente, integrar estratégias coerentes para diferentes mercados e comunidades.
Esta realidade exige três atributos-chave dos atuais líderes empresariais:

Primeiro, a imaginação para inovar. Ao encorajar a inovação, líderes eficazes ajudam a desenvolver novos conceitos, idéias, modelos e aplicações de tecnologia que fazem a organização se diferenciar.

Segundo, o profissionalismo do desempenho. Líderes provêm competência pessoal e organizacional, suportados por equipes treinadas e desenvolvidas, constantemente, e executando seu trabalho com perfeição, agregando valor aos fornecimentos dos clientes cada vez mais exigentes.

E, terceiro, a disposição para a colaboração. Líderes fazem conexões com parceiros, internas e externas, ampliando, assim, o alcance da organização e, em conseqüência, as possibilidades de sucesso com a captura de novas oportunidades e concretização de novos negócios.

"Uma vida de sucesso é feita de metas sucessivas, você tem que visualizar qual o proximo ponto que pode alcançar e passo a passo, meta a meta derrubar as barreiras, formar uma rede de relacionamentos e fortalecer seu espírito empreendedor, assim você vai longe...”.
                                                                                          (Luis Alves - líder coach)


Na prática, isso significa que os líderes devem procurar mudar a forma de abordagem, desenvolver novas habilidades, aplicar múltiplas disciplinas, realizando reais tarefas em conjunto, conhecer a si e aos outros líderes relacionados — próximos ou distantes — e alcançar o equilíbrio entre a liderança tradicional e a liderança colaborativa.

Esta é a forma para iniciar, desenvolver e sustentar um processo colaborativo construtivo e juntar as pessoas certas para criar visões e conquistar oportunidades.
Muitos executivos não conseguem mudar fundamentalmente o seu estilo. Entretanto, em vez de tentarem ser o que não são, deveriam aprender a atuar em diferentes papéis, estimulando e sendo estimulados, assim, para os reais esforços da equipe.  É primordial que os líderes relacionados saibam identificar quando se encontram numa situação de trabalho em grupo ou não, e, assim, aplicar a disciplina necessária, mesmo que isso signifique a necessidade de uma liderança externa ao grupo. Na liderança colaborativa não há uma autoridade formal entre os pares.

"Bons lideres fazem as pessoas sentir que elas estão no centro das coisas, e não na periferia. Cada um sente que ele ou ela faz a diferença para o sucesso da organização. Quando isso acontece, as pessoas se sentem centradas e isso dá sentido ao seu trabalho."                   (Warren bennis)

Este tipo de liderança é extremamente novo nas organizações mundiais, mas está se tornando cada vez mais importante por uma série de razões bem documentadas: a mudança das estruturas organizacionais hierárquicas para horizontais; estruturas organizacionais achatadas; a tecnologia da informação, que permite às pessoas se comunicar mais facilmente através das fronteiras; aumento da complexidade dos problemas das organizações que necessitam ser resolvidos diariamente e a economia global.
Não podemos forçar a colaboração, mas podemos esperá-la. As habilidades necessárias estão postas e precisam ser desenvolvidas. Apesar da velocidade com que os mais diferentes cenários vão mudando, para muitos líderes é necessário lembrar: “Você está devagar para ir rápido”.

Como consolidar uma equipe? Qual é a dica de ouro?   
Consolidar uma equipe Colaborativa e Comprometida tem a ver com gostar de pessoas. Um líder precisa gostar de gente, falar com gente, relacionar-se com gente! Em qualquer nível da empresa e da vida. Todo ser humano tem uma riqueza interior! Só temos que encontrá-la e ela geralmente não está na superfície.
Tem a ver com ser um líder mais amigável, que saiba conquistar as pessoas pro seu modo de pensar, saiba obter colaboração e comprometimento e ainda por cima, instigue seus liderados a transformar seus sonhos pessoais em metas claras e desafiadoras. Tem a ver com sair da zona de conforto para ampliá-la no que tange ao desenvolvimento pessoal e profissional.

"Nenhum de nós é tão inteligente quanto todos nós juntos.
                                                   (Warren Bennis Autor Norte-Americano)

Síntese Pós Jogos Cooperativos

“Não espere pela vontade de fazer algo positivo, inicie – o e sentirá vontade de continuar.”
(Zig Ziglar)

Falar em Jogos Cooperativos, é pensar em Trans- Formação em todos os sentidos. Isso é Fato! Pois é o que vem acontecendo comigo a partir do momento em que comecei a vivenciar isso na minha vida e na dos meus alunos, onde há dois anos trabalho só com os Jogos Cooperativos em uma Escola de Formação em Tempo Integral.
E nesse final de semana, pude vivenciar aquilo que Brotto (1999, p.20) chamou de ciclo de ensinagem, só que do outro lado, como aluna, pois estou sempre como facilitadora do jogo. E nessa oportunidade pude vivênciar, refletir em minhas ações cotidianas e melhora - las, pois muitos Jogos vivenciados eu já conhecia, pois apliquei com meus alunos e já tinha praticado no Curso que fiz com o Fabio no RJ ano passado, onde a sementinha foi plantada só esperando colher os frutos.  O mais engraçado que pude praticar esses jogos de uma nova maneira, com pessoas diferentes onde notei uma transformação ainda maior em mim. Pois a cooperação é um exercício, e, sendo um exercício, carece ser praticada sempre e em todo lugar, lembrando do processo do ciclo de ensinagem: AÇÃO è REFLEXÃO è AÇÃO MELHORADA.
O jogo cooperativo mudou a minha maneira de ver o mundo, principalmente dentro da escola, onde tudo gira em torno do melhor, melhor em notas, comportamento, o que se destaca nas aulas de Ed. Física e por aí vai. Cansei de ver aluno sentado nas aulas de ed. física por medo da rejeição sempre dava uma desculpa como: dor de cabeça, dor na coluna etc.
Segundo João Batista Freire “Concordo que o estudo, quanto o trabalho, é coisa séria. Coisa séria, não sisuda”.
E acredito que a cooperação consegue preencher essa lacuna.
Em minha prática busco sempre equilibrar o grupo para aprender a conviver, pois ainda vejo muito a discriminação entre séries e sexos, e o que é uma necessidade dos grupos que trabalho.
Dar a oportunidade de comentar o que sentiu, expor sua idéias e sugestões na roda é muito bacana e a pessoa sente – se importante, sem medo de errar ou de ser rejeitada. Todos são iguais, sem diferenças, sem o melhor ou pior, certo ou errado, e isso é lindo de se ver.
Eu reproduzi essa semana a brincadeira “Guardião das Jóias”, pois ela me possibilitou uma visão que ainda não tinha, quando o Fabio nos perguntou de quem foi o “papel” mais importante no jogo, e cada um deu sua opinião de acordo com o que achava ser o certo. E o Fabio nos mostrou o verdadeiro sentimento, de que todos os papeis são importantes. E na roda quando refleti percebi que ele realmente estava com a razão e fui além, pois tudo nessa vida o que fazemos o que somos são importantes. E nessa visão holística o que realmente é “REAL” é tudo aquilo que eu acredito.  E eu levei o jogo para minha escola e apliquei para meus educandos. O que aconteceu? Para minha surpresa aconteceu o mesmo, cada um disse que o importante era a “jóia”, outros disseram que era o “guardião” e comecei a mediar a situação perguntando o porquê e uma aluna disse que seria todos pois cada um dentro do jogo tem sua importância... achei o máximo!
Eu ainda me encontro extasiada com tudo que esse módulo me proporcionou, onde pude enxergar o outro como um amigo em potencial, a alegria, criatividade, solidariedade, e principalmente a confiança entre os participantes e em mim.
As vivências foram simples e motivantes, possível para todo o grupo. Mostrei quem realmente eu sou, me entreguei de corpo, alma e coração da forma mais intensa.
E essa intercomunicação de ideias fez com que o grupo buscasse involuntariamente uma socialização crescente, aprendendo assim a compartilhar e enxergar o mundo como um ambiente de inclusão, onde todos possam Ven-Ser e curtir uma felicidade comum onde passamos a dar valor as vitórias compartilhadas.
Essa frase que segundo Orlick (1989) define o que é cooperar, trago sempre comigo:
“A cooperação exige confiança porque, quando alguém escolhe cooperar, conscientemente coloca seu destino parcialmente nas mãos de outros.”
O alicerce da cooperação é a Confiança. Ela é a base para o começo de uma amizade.
E é isso, não sei se consegui colocar tudo que vivenciei e ainda continuo vivenciando que é essa magia que tem os Jogos Cooperativos.
Saí do modulo parecendo que tinha feito uma terapia, pois estamos tão ligados uns com os outros que quando um chora por qualquer que seja o motivo, dor, emoção, parece que sentimos junto o que o colega está passando e isso é muito bacana para um grupo que se conhece há tão pouco e ao mesmo tempo parece que já nos conhecíamos há anos.
O jogo nos proporciona essas vivências inesquecíveis que só nos fazem crescer como pessoas mais humanas, solidárias e colaborativas.
È por essas razões que me avalio em 9,0 porque tenho certeza que sou um ser aprendente em processo de construção e disposta a levar e a praticar a cooperação onde quer que eu vá.



A importância da Educação Física nos Anos Iniciais

Por: Carla Vasconcelos de Menezes
A totalidade do ser humano se diferencia no transcurso da evolução humana. A medida que se desenvolve o homem acentua suas predisposições e as influência do mundo circundante na estrutura holística do ser, e a Educação Física como participante deste processo tem como objetivo desenvolver e estimular o lado biológico do homem, suas aptidões corporais e sensoriais, concomitante com o lado emocional, oferecendo-lhe estímulos ao desenvolvimento em seu campo de ação (Padrão Referencial de Currículo, 1996).
Segundo os Parâmetros Curriculares Nacionais de 1997 (PCNs), o trabalho de Educação Física nas séries iniciais do Ensino Fundamental é importante, pois possibilita aos alunos terem desde cedo, a oportunidade de desenvolver habilidades corporais e de participar de atividades culturais, como jogos, esportes, lutas, ginásticas e danças, com a finalidade de lazer, expressão de sentimentos, afetos e emoções.
A área de Educação Física fundamenta-se nas concepções de corpo e movimento. Isto é, a natureza do trabalho desenvolvido nesta área tem íntima relação com a compreensão que se tem desses dois conceitos.
A Educação Física nos anos iniciais, segundo a Legislação, tem recebido sempre uma acentuação global do desenvolvimento integral da criança. De acordo com Rosamilha (1979) no Edital nº20 de 04/04/61, da cidade do Rio de Janeiro, tomamos o conhecimento de que:
“A Educação Física nas escolas primárias terá por fim [...] promover, por meio de atividades físicas adequadas, o desenvolvimento integral da criança, permitindo que cada uma atinja o máximo de sua capacidade física e mental, contribuindo na formação de sua personalidade e integração no meio social, [...]” (p.74).
Assim, percebe-se que a Educação Física desde décadas atrás tem como objetivo possibilitar prazer funcional, com base fundamental no movimento. Ela deve oportunizar ao educando a multiplicidade de suas possibilidades cinéticas, ampliando seu mundo disponível. Entretanto, algo mais que todos os exercícios físicos, ela é educação, pois através da seleção e ordenamento das atividades o educador busca cumprir seus objetivos educacionais.
Esta afirmação continua tão atual que os PCNs de 1997 nos colocam também, que a prática da Educação física na escola poderá favorecer a autonomia dos alunos para monitorar as próprias atividades, regulando o esforço, traçando metas, conhecendo as potencialidades e limitações, sabendo distinguir situações de trabalho corporal que podem ser prejudiciais a sua saúde. A iniciação precoce, a performance e o imediatismo desconsideram a individualidade de cada aluno, único em suas potencialidades e limitações. Os movimentos são estereotipados, gerando conformismo pela ausência do exercício da crítica e do espaço da criação.
“Em oposição a uma Educação Física mantenedora do “status quo” propõe-se uma ação onde o homem seja o agente ativo da construção de sua história pela sua ação consciente” (Padrão Referencial de Currículo, p.67)
Fazendo-se necessário que os profissionais de Educação Física conheçam o corpo teórico que sustenta a visão da Ciência, a conceituação específica do seu campo de conhecimento e valorizem o saber popular como parte do pensar e do fazer da Ciência, visto que
“(...) as respostas que o homem dá aos problemas do mundo da vida, ou do mundo e suas práticas, são, ao menos, tão racionais e são teóricas, como as suas indignações sobre a natureza do mundo físico.” (Padrão Referencial de Currículo, p. 102)
Propor ao aluno uma participação ativa no próprio aprendizado, a pesquisa em grupo, a experimentação e atividades que estimulem o questionamento e o raciocínio, contribuindo assim, no processo de resgate de uma Educação Física inserida no contexto escolar, como uma prática social, alicerçada na participação coletiva, que promova autonomia, criatividade e socialização, e não apenas como um componente, que desenvolve sua atividade fora da sala de aula.
A Educação Física permite que se vivencie diferentes práticas corporais advindas das mais diversas manifestações culturais que seja vista como uma variada combinação de influências onde é presente na vida cotidiana. A partir das danças, dos esportes, dos jogos que compõem um vasto patrimônio cultural que deve ser valorizado, conhecido e desfrutado.
Referências
Parâmetros Curriculares Nacionais (PCNs). Educação Física. V.7. Brasília:1997.

Padrão Referencial de Currículo:1995-1998. Departamento Pedagógico/Divisão de Ensino Fundamental. Porto Alegre:1996.

Rosamilha, N. Psicologia do Jogo e Aprendizagem Infantil.
São Paulo:Livraria